Você ainda está jogando "Pistas" com o seu programa de detecção de gás?

Você ainda está jogando "Pistas" com o seu programa de detecção de gás?

Josh Futrell | sexta-feira, 26 de junho de 2020

Para muitas pessoas, o jogo de tabuleiro Pistas foi a primeira aventura no mundo da investigação. Os jogadores se movem pelo tabuleiro, coletando fatos sobre um assassinato recente e eliminando possibilidades, para juntar uma conclusão como “Dona Marta matou o coronel Silveira na biblioteca com um castiçal". Este popular jogo infantil, um pouco sinistro, destaca a importância de responder às cinco grandes perguntas quando ocorre um incidente:  Quem? O quê? Quando? Onde? e Por quê? (Felizmente, os jogadores de Pistas nunca precisam abordar a questão moralmente desafiadora do "porquê".)

Responder a essas perguntas sobre perigos relacionados com gás é especialmente difícil, dada a sua natureza efémera e a tecnologia existente usada para detectar e recolher dados sobre eles. Muitos programas de detecção de gás dependem de autorrelato. Os trabalhadores são treinados para parar o que estiverem fazendo quando ocorre um alarme de detector de gás, e relatar o evento ao supervisor. Na superfície, essa abordagem simples garante que todas as informações necessárias sejam coletadas em primeira mão e permite que as equipes cheguem ao "porquê" quase que imediatamente. É um pouco como chegar à resposta certa no Pistas na primeira vez. Na prática, porém, o relatório manual leva a que os eventos de alarme sejam amplamente subnotificados. Dados analisados de empresas que fizeram a transição do relatório manual para sistemas automatizados como docking stations, mostraram até cinco vezes mais alarmes que realmente ocorrem, em comparação com os relatados anteriormente por métodos manuais.

Há muitas razões para essa discrepância. Para começar, os trabalhadores relataram não terem notado os alarmes dos seus detectores de gás. Outros deixaram de relatar um incidente porque achavam que podiam meter-se em encrenca. Alguns estavam concentrados em fazer o trabalho deles – "só preciso de mais um minuto para terminar" – e ignoraram o alarme ou até desligaram o monitor, e depois acharam que os fins tinham justificado os meios quando nada de ruim aconteceu. Há inúmeras outras razões, de comportamento e culturais, que impedem que um programa de relatórios manuais seja eficaz. Sem automatizar o seu programa de detecção de gás com docking stations ou outros meios de coleta de dados, você pode ser muito bem sucedido em ganhar o jogo de Pistas, mas só jogando 20% das vezes que deveria jogar.

Como chegamos ao "porquê" mais rapidamente?

docking stations coletam dados

As docking stations são uma das maneiras de coletar
dados dos seus detectores de gás para começar a
entender o que está acontecendo em campo.

Docking stations – Não é incomum ver comportamentos e eventos indesejáveis caírem drasticamente depois que os dados passam a ser coletados por uma docking station e verificados com regularidade. Por exemplo, uma siderúrgica que passou de 90 detectores de gás usados sem alertas de teste de resposta no primeiro mês de relatórios para menos de cinco alertas por mês, em média, nos dois anos seguintes. Isso ocorre porque, para começar, os comportamentos não podem ser investigados quando não se tem visibilidade do programa de detecção de gás. E embora os detectores de gás portáteis sejam ótimos para registrar informações básicas como “o quê” e “quando” – o detector de gás com o número de série 1234 viu um alarme H2S alto por 5 minutos na última sexta-feira às 9h14 - eles nem sempre são bem equipados para dizer "quem" e "onde". As docking stations são um ótimo primeiro passo para coletar algumas “pistas” para resolver o problema, mas você precisará levar o seu programa mais adiante se quiser a imagem completa.

iAssigns usados em tanques

Tags iAssign podem ser usadas para atribuir instrumentos a
trabalhadores e para registrar manualmente a entrada e a saída de locais.

Tags NFC e RFID – As pessoas mais bem-sucedidas na compreensão dos seus dados aproveitaram as mais recentes tecnologias de detecção de gás. Para resolver “quem”, muitos atribuem detectores de gás permanentemente a pessoas e rastreiam essas informações manualmente em planilhas ou folhas de registro, ou definindo-as no software dos detectores de gás. Alguns monitores podem até ser reatribuídos dinamicamente a usuários em campo graças a tags NFC ou RFID, permitindo que nomes de usuário sejam adicionados aos dados dos instrumentos mesmo que estes estejam sendo retirados aleatoriamente de uma reserva comum de equipamentos. Esses métodos podem rapidamente transformar informações como "o detector de gás com o número de série 1234 viu um alarme de H2S alto por 5 minutos na última sexta-feira às 9h14" em "o detector de gás do João da Silva viu um alarme de H2S alto por 5 minutos na última sexta-feira às 9h14". Um passo mais perto de ganhar o jogo de Pistas.

GPS e WiFi – A questão do "onde" tem sido mais difícil de resolver. A maioria das pessoas se apoia em conversas de acompanhamento. "João, onde você estava na última sexta-feira às 9h14?" Às vezes é difícil para os trabalhadores se lembrarem de onde estavam, para nem mencionar o contexto da situação. Alguns detectores de gás portáteis podem ser equipados com GPS, que pode fornecer uma localização bastante exata, embora o GPS seja um notório consumidor de energia e possa limitar o tempo de operação dos instrumentos. Ele também não funciona bem em ambientes fechados ou em ambientes industriais complexos. Outros usam cálculos de Wi-Fi e triangulação complexa para determinar a localização, mas isso requer muita infraestrutura instalada para obter resultados precisos. Outro desafio de usar localização baseada em GPS ou Wi-Fi podem ser os sindicatos de trabalhadores, cujos membros podem ter sentimentos contraditórios em relação a serem acompanhados de perto.

Beacons iAssign™

Os beacons iAssign registram automaticamente os dados de localização
para que os gerentes de segurança possam ver onde os trabalhadores
estavam quando experimentaram condições perigosas.

Beacons Bluetooth – Alguns detectores de gás oferecem um método menos preciso, mas de certa forma mais acionável, para determinar a localização, na forma de texto de formato livre, como "Tanque 1" ou "Coker, nordeste". Essas atribuições de localização podem ser inseridas manualmente no software dos instrumentos, definidas pelos trabalhadores dinamicamente por meio de tags NFIC ou RFID, ou automaticamente com base na proximidade de um instrumento a beacons Bluetooth. O jogo de Pistas agora pode começar com muitas cartas já na mesa.  “O detector de gás de João da Silva detectou um alarme de H2S alto no Tanque 1 por 5 minutos na última sexta-feira às 9:14 da manhã.” Chegar ao "porquê" fica muito mais rápido.

Mesmo com todas essas informações, ainda há outras áreas nas quais os fabricantes de equipamentos de detecção de gás precisam inovar para ajudar os líderes de segurança a descobrir o porquê mais rapidamente. Uma é fornecer informações mais contextuais para ajudar a confirmar se um “o quê” ocorreu de fato e um jogo de Pistas precisa ser jogado em primeiro lugar. Quando recebemos um alerta de que “o detector de gás de João da Silva detectou um alarme de H2S alto”, isso não significa necessariamente que o João tenha sido exposto a um gás tóxico ou se envolvido em um comportamento de risco. Talvez ele estivesse seguro e não havia nenhuma medida a ser tomada. Talvez ele estivesse usando um aparelho de respiração autônomo e atuando de acordo com as normas e práticas recomendadas da empresa. Pode ter levado uma amostra remota como parte de uma entrada em espaço confinado. Ou o João pode estar realmente em perigo, sinalizando que controles administrativos ou de engenharia precisam ser implementados. Por enquanto, cabe aos líderes de segurança investigar e reunir essas pistas manualmente. No futuro, no entanto, os fabricantes de equipamentos poderão encontrar maneiras de adicionar mais metadados aos registros e relatórios do instrumento para filtrar dados de comportamento seguros e inseguros automaticamente.

Monitoramento ao vivo – Uma última maneira como o setor está trabalhando para chegar ao "porquê" mais rapidamente é o envio de dados aos usuários em tempo real, transformando "última sexta-feira às 9:14 da manhã" em "agora mesmo". Os detectores de gás portáteis sem fio existem há mais de uma década. Nestes últimos tempos, cada vez mais fabricantes estão oferecendo soluções sem fio e a tecnologia está se tornando mais fácil e barata de implementar. Hoje é perfeitamente possível que o pessoal de segurança receba nos seus notebooks, smartphones, painéis de controle etc. um alerta dizendo “O detector de gás de João da Silva está vendo um alarme de H2S alto no Tanque 1”, e agir imediatamente para investigar e eliminar riscos indevidos.

É como começar o jogo de Pistas já sabendo as respostas. Ou melhor, deixar inteiramente de jogar o jogo e passar para a tarefa complexa e gratificante de perguntar "por quê" e "como podemos manter as pessoas em segurança?"